quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Campeões têm alta taxa de pobreza

O ditado popular segundo o qual dinheiro não traz felicidade pode ser aplicado também no Produto Interno Bruto. O município com maior PIB per capita, ou seja, a divisão da riqueza pelo número de habitantes é Guamaré, polo petroquímico do Rio Grande do Norte, onde a Petrobras mantém uma refinaria de petróleo e uma unidade de processamento de gás natural, que abastece o gasoduto Nordestão. São R$ 110.932,38, um dos maiores do Nordeste. No entanto, os indicadores sociais colocam Guamaré em 44º lugar no ranking estadual do desenvolvimento econômico.

Entre 2007 e 2011, o Produto Interno Bruto de Guamaré teve um crescimento de 59,2%. Pulou de R$ 886,8 milhões para R$ 1,4 bilhão. A preços correntes, é o quatro do Rio Grande do Norte, perdendo apenas para os os três mais populosos: Natal, Mossoró e Parnamirim.

Doze dos 20 municípios com maior PIB per capita são produtores de petróleo e recebem royalties por isso. Em Guamaré a taxa de pobreza é de 26,1%, segundo o programa Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que faz o monitoramento dos indicadores sociais no Brasil para as Nações Unidas. A pobreza em Guamaré está acima da média estadual, que é de 25%.

Em Porto do Mangue, que além das atividades petrolíferas, vive da exploração de sal e, até pouco tempo, da carcinicultura, o PIB per capita é de 40.355,30, o segundo melhor do RN. A taxa de pobreza em 2010, era de 47,7%, praticamente a mesma da média dos 10 municípios com menor PIB por habitante. Com um detalhe a mais: 24,7% estavam abaixo da linha de indigência, isto é, vivendo com menos de R$ 70 por mês.

No terceiro município no ranking, Baía Formosa, também tem taxa de pobre acima da média estadual. O município conseguiu cumprir a meta das Nações Unidas, que era chegar a 2015 com um taxa máxima de pobreza de 33,2%. Município cuja economia gira em torno da indústria sulcroalcooleira, Baía Formosa tinha taxa de pobreza de 66,9% em 2003. O Índice de Desenvolvimento Humano é de 0.609, e 73º colocado na ranking estadual de qualidade de vida. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para as séries iniciais do ensino fundamental subiu de 3.3 em 2009 para 3.7, em 2011; o dos anos finais permaneceu nos mesmos 3.4.

Dos quatro primeiros, a menor taxa de pobreza é de Areia Branca, com 20%. O município, que se emancipou politicamente de Mossoró em 16 de fevereiro de 1892, tem o melhor IDHM entre os vinte do PIB per capita. Ocupa o 7º lugar no ranking da qualidade de vida. A mortalidade infantil é de 16,1 e o ensino básico ocupa uma faixa intermediária. Em 2011, o porcentual de crianças nascidas no município cujas mães tiveram assistência pré-natal adequada foi de 45%, maior que em 2000 (36%).

Espirito Santo, Serra de São Bento, Campo Redondo, Poço Branco e Afonso Bezerra são os primos pobres. A economia gira em torno do que a prefeitura oferece e da arrecadação do Fundo de Participação. No ano passado, eles receberam pouco mais de R$ 7 milhões para manter toda a máquina administrativa.

O PIB per capita deles fica na faixa de R$ 4 mil por habitantes. No conjunto, eles tem taxa média de pobreza de 48%, quase nenhuma perspectiva de que a situação pode mudar. Espírito Santo, por exemplo, ocupa a 159º posição no desenvolvimento humano. E a qualidade do ensino deixa muito a desejar.

No ranking do PIB per capita, Guamaré é o 1º no Rio Grande do Norte, 2º no Nordeste e 18º no Brasil.

 
 



- Transcrito da Tribuna do Norte 

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